Cá temos, mais um
vírus que dentro de algum tempo chegará a Portugal; é o Zika Vírus, são as
designadas doenças emergentes que se continuam a alastrar pelo mundo. O vírus
Zika foi pela primeira vez isolado em 1947 na floresta Zika do Uganda. Desde
então têm sido identificados surtos em África e na Ásia mas agora alastrou para
o Brasil. Desde Fevereiro 2015 que no nordeste brasileiro surgiram até agora
quase 7000 casos de doença exantemática que por ser desconhecida, assustava a
população. A doença não é grave, pode durar até cerca de 12 dias e cursa com
febre e exantema cutâneo maculopapular, por vezes pruriginoso, assim como
mialgias, artralgias e cefaleias ou mesmo diarreia e conjuntivite; na Europa
poderia também ser confundida com alergia ou um síndrome gripal mas no Brasil
foram colocadas as hipóteses de se tratar de Dengue, Chikungunya, Rubéola,
Parvovírus B19, Sarampo e outras arboviroses e enteroviroses. A transmissão do
Vírus Zika faz-se pelo mesmo vector que a Dengue e a Febre Chikungunya, isto é
os mosquitos do género Aedes: Aedes aegypti, Aedes albopictus e outros. Apesar
de o mecanismo ainda não estar totalmente esclarecido, no caso do vírus Zika
também se coloca a hipótese de a doença ser apanhada por artrópodes e
transmitida entre humanos por via sexual. Em Portugal, o mosquito Aedes aegypti
já coloniza a ilha da Madeira, mas está neste momento com pouca actividade por
causa das baixas temperaturas; o Aedes albopictus já coloniza os países da orla
mediterrânica europeia e brevemente chegará a Portugal. Com o avanço do vector
(o mosquito Aedes) a intensificação das viagens internacionais e da actividade
sexual; a doença a Vírus Zika será inevitável em Portugal. O tratamento é
sintomático. A doença é ainda muito desconhecida, até agora não tem sido grave,
ainda não se registaram casos de morte. A letalidade, o potencial infeccioso e
mutagénico assim como a probabilidade de se combinar com outros vírus e lhes
alterar o genoma continuam uma incógnita no entanto esta doença é, sem dúvida,
mais um sofrimento para a saúde da população.
Dia 1 de Maio de 2015 às 22:46
Comentários:
- E já
chegou a Madeira, e já há medicamento para o tratamento ?
- Pois é
amiga, ainda não chegou à Madeira. A Madeira no domínio das doenças cujo vector são artropodes, está agora muito
calminha, melhor que o Continente. Por enquanto
a terapeutica é sintomática e sem salicilatos.
- Quanto
ao Dengue e a esse novo, Vírus Zika, dificilmente chegarão a Portugal, digo, o mosquito em si. Será mesmo que aqueles que
por cá pululam um pouco por toda a parte
nomeadamente junto a focos poluídos como ribeiros, entulhos, etc., não são eles
também perigosos para a nossa
saúde?
- Olá
Professor T…, seja bem aparecido!
Os vários insectos que normalmente encontramos podem, de um modo geral, ser responsáveis por transmissão de doenças, como as intoxicações alimentares, mas também a sua picada causa frequentemente irritabilidade cutânea e alergias chegando por vezes uma só pessoa a ser picada 300 vezes por hora como já tem acontecido no estuário do Sado.
Os vários insectos que normalmente encontramos podem, de um modo geral, ser responsáveis por transmissão de doenças, como as intoxicações alimentares, mas também a sua picada causa frequentemente irritabilidade cutânea e alergias chegando por vezes uma só pessoa a ser picada 300 vezes por hora como já tem acontecido no estuário do Sado.
Os
artrópodes, dos quais os insectos fazem parte, são vectores de muitas e
variadas doenças; de entre estes, as
carraças transmitem várias rickettsioses; em Portugal continental a febre escaro nodular e a borreliose de Lyme são as
mais preocupantes. Os insectos
flebótomos transmissores da Leishmania infantum também se encontram em Portugal. Há várias outras doenças
transmitidas por artrópodes porém, para mim, o
mais importante são as doenças emergentes do século XXI. Os insectos do género Aedes (sobretudo Aedes aegypti e
Aedes albopictus) estão a avançar das zonas tropicais
para as subtropicais e temperadas e com eles vêm as doenças. O Aedes albopictus, proveniente da Ásia,
terá sido introduzido na região da Albânia em 1979 através do comércio de pneus, progrediu para Itália
onde foi responsável pela introdução
e disseminação do vírus Chikungunya com um pequeno surto em 2007; continuou a progredir e já em
2014 no sul de França causou um maior surto por Febre Chikungunya. O mosquito Aedes albopictus está na orla costeira
mediterrânica de Espanha e
brevemente estará em Portugal. A Califórnia(EUA) debate-se neste momento com o avanço do mosquito
Aedes aegypti que se difundiu a partir da região de San Diego; em 2014 teve 126 casos de Dengue e 119 de Chikungunya
mas, por enquanto, pensa-se
que foram todos importados da América Latina. É assim meu caro, a realidade da saúde / doença no mundo, está
a mudar.
- Sempre
atento obrigado amigo