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ZIKA - ZIKA – ZIKA

Finalmente a direcção geral da saúde decidiu anunciar o Zika vírus como um problema de saúde. Foi um anuncio tardio e tímido mas é melhor tarde que nunca e pouco que nada. Optou por divulgar o que é já conhecido e por isso forneceu pouca informação. Na realidade ainda se sabe pouco sobre o vírus Zika; a microcefalia em crianças cujas mães estiveram infectadas, enquanto grávidas, é uma associação estatística muito forte. Afirmar que a infecção por vírus Zika apenas se contrai pela picada do mosquito Aedes aegypti confere uma falsa segurança; seria melhor informar que não se sabe tudo pois, embora com pouca probabilidade de se concretizar, existem suspeitas da transmissão pelas relações sexuais, pelo leite materno, pelas transfusões de sangue e pelo líquido amniótico. Seria bom informar que a magnitude do problema é tal que 6 dos 9 estados do nordeste Brasileiro já decretaram o estado de emergência, a vigorar por 180 dias, por causa da infecção pelo Zika vírus; além disso noutros estados há subdivisões administrativas também em estado de emergência. Afirmar que o virús apenas se transmite através da picada pelo Aedes aegypti é uma meia verdade pois tudo indica que outras espécies de mosquitos do género Aedes, designadamente o Aedes albopictus, também o transmitem. Isto é muito importante pois se a ilha da Madeira tem o Aedes aegypti e uma forte probabilidade de sofrer infecção pelo Zika, Dengue e Chikungunya no curto prazo, a verdade é que o mosquito Aedes albopictus, que ainda há cerca de 10 anos apenas se encontrava na região da Albânia já invadiu toda a orla costeira mediterrânica europeia e encontra-se agora também em Gibraltar. No próximo verão, ou no seguinte, com o tempo quente chegará a Portugal. Há ainda a probabilidade, conforme já aconteceu noutros países, de ele dar um “salto” e se deslocar directamente para a periferia de Lisboa. Nesta matéria seria racional que a rede de vigilância de vectores, no que diz respeito a vigilância entomológica prestasse uma atenção acrescida a periferia de Lisboa. Brevemente estará em Portugal o mosquito Aedes e com ele o Zika, Chikungunya, e Dengue (a Febre Amarela também mas para esta há vacina). É tudo uma questão de tempo.
Dia 17 de Janeiro de 2016 às 23:58